Quanto custa transportar centenas de metros cúbicos de chorume todos os dias?
E se uma parte relevante dessa logística pudesse ser substituída por uma planta de tratamento instalada dentro do próprio aterro?
São José dos Campos, no interior de São Paulo, está colocando essa estratégia em prática.
Em fevereiro de 2026, a Urbanizadora Municipal (Urbam) assinou com a OuroNitro um contrato de concessão administrativa para instalação, operação e manutenção de uma unidade de tratamento de chorume na Estação de Tratamento de Resíduos Sólidos do município.
A concessão foi estabelecida por 20 anos. Segundo a Urbam e a Prefeitura de São José dos Campos, a expectativa é obter economia de até 40% nas despesas de coleta, transporte e destinação do chorume.
Mais do que um contrato de tratamento de efluentes, o projeto mostra como a gestão de chorume pode ser repensada sob as perspectivas econômica, ambiental e operacional.
Dados divulgados pela Urbam em 2024 ajudam a compreender a dimensão da operação.
Naquele momento, o aterro sanitário de São José dos Campos recebia aproximadamente 570 toneladas de resíduos sólidos urbanos por dia e gerava, em média, cerca de 350 m³ de chorume diariamente.
É um volume significativo.
Quando um efluente dessa magnitude precisa ser continuamente retirado do aterro e transportado para tratamento, cria-se uma operação logística praticamente permanente.
Caminhões, motoristas, combustível, manutenção, disponibilidade da unidade receptora e quilômetros percorridos passam a fazer parte do custo da gestão do chorume.
Na apresentação do contrato de 2026, a Urbam informou que, com o tratamento in loco, o chorume deixará de percorrer quase 250 quilômetros no trajeto de ida e volta até sua destinação.
A nova unidade pretende realizar o tratamento dentro do próprio aterro.
A consequência é direta: ao evitar essa logística, também são evitados consumo de combustível, circulação de caminhões e emissões associadas a esses deslocamentos.
Esse é um dos principais argumentos estratégicos a favor do tratamento local.
O ganho ambiental não está apenas no efluente tratado.
Está também na logística que deixa de ser necessária.
Um dos dados mais relevantes do projeto é financeiro.
Segundo a Prefeitura e a Urbam, a concessão poderá proporcionar economia de até 40% nas despesas relacionadas à coleta, transporte e destinação do chorume.
Esse número demonstra por que gestores públicos, concessionárias e operadores privados precisam analisar o tratamento de chorume além da ótica puramente ambiental.
Uma solução ambiental também pode ser uma solução de eficiência operacional.
Quando o custo total é analisado, devem entrar na conta fatores como:
A comparação correta, portanto, não é simplesmente entre o preço de uma planta e o preço de uma viagem de caminhão.
É entre modelos completos de gestão do chorume ao longo de vários anos.
Outro aspecto importante do projeto é o reaproveitamento.
A água obtida a partir do tratamento deverá ser utilizada em atividades como irrigação de áreas verdes, lavagem de vias e manutenção da própria estação, de acordo com o planejamento divulgado pelo município.
Isso cria uma segunda economia potencial.
Além da redução de despesas relacionadas à logística do chorume, existe a possibilidade de diminuir a necessidade de adquirir água para usos que não exigem água potável.
É aqui que o conceito de economia circular deixa de ser discurso e passa a fazer parte da operação.
O que originalmente era tratado exclusivamente como efluente passa a ser processado para recuperação de recursos.
A OuroNitro é a empresa contratada para instalar, operar e manter a nova unidade de tratamento.
A empresa brasileira desenvolve tecnologia própria para processamento de chorume e outros efluentes e tem como uma de suas principais propostas realizar o tratamento diretamente no local de geração.
Sua tecnologia para chorume é denominada Oxiamonólise e combina diferentes processos físico-químicos, incluindo tratamento inicial, filtração e nanofiltração, processo oxidativo com ozônio e uma etapa destinada ao nitrogênio amoniacal.
Essa combinação é especialmente relevante porque chorume é um efluente altamente variável e complexo.
Pesquisas científicas recentes reforçam que sistemas combinados são importantes no tratamento de lixiviados, justamente porque diferentes tecnologias apresentam vantagens e limitações diante de matéria orgânica, nitrogênio, sais e outros componentes.
Outro elemento que chama atenção no projeto de São José dos Campos é sua duração.
A concessão foi estabelecida por duas décadas.
Isso mostra que tratamento de chorume não deve ser analisado apenas como uma resposta a um problema momentâneo.
A geração do efluente acompanha a vida operacional do aterro e continua existindo mesmo após determinadas fases de recebimento dos resíduos.
Planejamento de longo prazo, portanto, é indispensável.
O case de São José dos Campos traz pelo menos quatro aprendizados importantes.
Primeiro: transportar chorume não é a única alternativa.
Segundo: a análise econômica precisa considerar todo o custo logístico ao longo do tempo.
Terceiro: água recuperada pode assumir valor operacional quando existe aplicação tecnicamente adequada e ambientalmente autorizada.
Quarto: tecnologias instaladas no próprio aterro podem aproximar tratamento ambiental, eficiência operacional e economia circular.
Durante muitos anos, investimentos ambientais foram apresentados principalmente como custos necessários para atender à legislação.
Essa visão está mudando.
Um projeto ambientalmente adequado pode também reduzir transporte, evitar consumo de combustível, recuperar água e aumentar a autonomia operacional.
A previsão de economia apresentada pelo projeto de São José dos Campos mostra exatamente essa mudança.
Quando sustentabilidade e eficiência econômica caminham juntas, o tratamento de chorume deixa de ser apenas uma obrigação operacional e passa a integrar a estratégia do empreendimento.
A implantação completa do sistema de São José dos Campos estava prevista, no anúncio oficial de fevereiro de 2026, para ocorrer até o final do segundo semestre de 2026. Portanto, os indicadores efetivos de desempenho operacional deverão ser avaliados conforme a unidade entre em funcionamento.
Quanto o seu aterro gasta hoje para armazenar, transportar e destinar chorume?
Antes de considerar esses custos inevitáveis, vale avaliar outro cenário.
A OuroNitro desenvolve soluções para tratamento de chorume no próprio local de geração, com projetos dimensionados de acordo com as características e necessidades de cada operação.
Conheça a tecnologia OuroNitro e descubra se o tratamento in loco pode reduzir custos e transformar a gestão de chorume do seu empreendimento.







